segunda-feira, 18 de maio de 2009

Mas deixa a menina falar

Me disseram que você anda desmaiando, eu sei
Que bateu a cabeça
Quis tirar coisas dela
Que andou rolando estrada abaixo tendo convulsões
Que não chegam a durar um minuto, mas sufoca tua garganta
Me disseram sobre a sua agonia sem fim
Uns chamam de ansiedade. Para ansiedade se tem ansiolíticos
Você chama de agonia
Até disseram para não gritar contigo para o coração não acelerar
Até que tenha acelerado muito nessa vida
Agora sente, já é hora de parar.
Anda com tonturas nos corredores da escola, da casa, na rua anda se apoiando ( esgueirando) a ponto de ser o suficiente para não cair
Ah minha boca seca
Ah minha solidão, me dê um copo d'água para me abrir a garganta à força
Que já gritou por revolução e agora não grita mais
Grita por socorro por quando o corpo cai na cerâmica fria
Ainda dizes: "Não é nada, é a pressão..."
É a pressão...
Desculpa para não incomodar
O peito não dói mas incomoda quando acelera
Como se seus desmaios fossem cenas soltas no cotidiano para chamar atenção
Até que viram e acreditaram que não era mentira
Foi feio, muito feio, se assusta sem ver
E sente calor, não chega a ser torpor porquê é ruim
É psicológico, dizias, enquanto a garganta fechava
Garganta fechada
No piso, chapada no chão

2 comentários:

Autoficção - Carla Fernanda disse...

muito bonito Ale, vc esta escrevendo muito bem...

Augs disse...

Essa eu vi ainda no papel, muito boa Ale!

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